Pirenópolis, capital goiana da cerveja

A pequena cidade de 24 mil habitantes, conhecida por suas belezas naturais e pelo burburinho da Rua do Lazer, encontrou mais uma vocação turística e econômica


Fonte: O Popular
Por: Juliana Ribeiro
 


Ir a Pirenópolis para beber cerveja artesanal é uma ideia que tem atraído mais pessoas a cada ano. A pequena cidade de 24 mil habitantes, conhecida por suas belezas naturais e pelo burburinho da Rua do Lazer, encontrou mais uma vocação turística e econômica e já pode ser chamada de capital goiana da cerveja.

Dois momentos foram marcantes para consolidar essa imagem. Em 2015, foi realizado o 1˚ Piribier, festival anual de cervejas artesanais, que acabou por incentivar a criação do Núcleo de Estudos da Cerveja da Universidade Estadual de Goiás (UEG). O núcleo integra o curso de Tecnologia em Gastronomia do Câmpus Pirenópolis.

Este ano outra novidade chega à cidade, o 1˚ Congresso Técnico de Sommerliers. Organizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o encontro é mais um evento a atrair profissionais brasileiros e estrangeiros para a região.

Para o presidente da Abracerva, Carlos Lapolli, com eventos como o Congresso e o Piri Bier, todos ganham. A cidade que passa a ser conhecida por novas pessoas e os visitantes, que têm a oportunidade de vivenciar a riqueza do Cerrado. “A gastronomia é o ponto forte da região. É um cenário perfeito para falar de cerveja artesanal, que busca sempre o consumo local e as raízes”, diz Lapolli. (Juliana Ribeiro é jornalista e sommelier de cervejas)

 

Cervejeiros investem em Pirenópolis 


Pirenópolis já tem uma fábrica local, a Santa Dica Cervejaria

Lucas Amaral de Faria é dono do bar de cervejas especiais Êiou, em Pirenópolis
Lucas Amaral de Faria: ele investiu em casa especializada (Foto: Divulgação)

Empresários e cervejeiros apaixonados por cerveja também encontraram um nicho em Pirenópolis e têm investido na cidade, que conta com diversos empórios e bares de cervejas especiais nacionais e importadas. Pirenópolis já tem uma fábrica local, a Santa Dica Cervejaria.

A cervejaria foi criada para ter uma identidade forte com a cidade, como conta o sócio Ernesto Matthias de Pina Walde. Da logomarca com desenhos das Cavalhadas aos ingredientes regionais, tudo foi cuidadosamente planejado. “Os turistas que chegam à cidade têm interesse em conhecer ‘a cerveja de Pirenópolis’. Isso incentiva pessoas que nunca tomaram cerveja artesanal queiram experimentar”, destaca.

Para Ernesto, Pirenópolis ainda tem uma produção pequena, mas pode ser chamada de capital da cerveja goiana por causa da importância política e estratégica, já que recebe grandes eventos do setor e possui o Núcleo de Estudos da Cerveja da UEG. “Aqui foram tomadas decisões importantes como a assinatura da Carta de Pirenópolis”, destaca.

Bar Êiou

Entre os bares de cervejas especiais, o Êiou é um dos mais especializados. Foi inaugurado em 2016 pelo mineiro Lucas Amaral de Faria, administrador e sommelier de cervejas. “Como na cidade ainda não tinha uma casa que trabalhasse especificamente com cervejas especiais, resolvemos unir o útil ao agradável”, explica.

Para o proprietário do Êiou, a união de esforços entre UEG e empresários do ramo está fazendo de Pirenópolis um polo cervejeiro difícil de se ver em outros Estados. “Precisamos que o poder público enxergue assim, para consolidarmos a cidade como um atrativo turístico cervejeiro, além de natural e histórico”, destaca.  (Juliana Ribeiro é jornalista e sommelier de cervejas)


Movimento cervejeiro pirenopolino nasceu com a “Carta de Pirenópolis”

 

Pirenópolis, capital da cerveja artesanal em Goiás
Universidade Estadual de Goiás tem um câmpus na cidade de Pirenópolis (Foto: Arquivo pessoal)


A Carta foi o primeiro passo para a criação do Núcleo de Estudos da Cerveja, que integra o curso de Tecnologia em Gastronomia do Câmpus Pirenópolis


A criação de um polo cervejeiro em Pirenópolis começou a ganhar forma em 2015, quando representantes da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e empresários cervejeiros reuniram-se após o 1˚ Piribier para discutir maneiras de incentivar o setor. O resultado foi a assinatura da Carta de Pirenópolis, primeiro passo para a criação do Núcleo de Estudos da Cerveja, que integra o curso de Tecnologia em Gastronomia do Câmpus Pirenópolis.

Além do núcleo de estudos, o acordo entre a UEG e as empresas Piribier, Escola da Cerveja e Cervejaria Colombina previa a doação de equipamentos e a transferência de tecnologia e de estrutura necessárias para desenvolver a cultura e a produção cervejeira artesanal na região.

Segundo o coordenador do curso e do núcleo, Vanderlei Alcântara, a UEG já colhe avanços importantes no incentivo à pesquisa desse setor. Professores têm sido convidados para eventos científicos nacionais e internacionais e o número de estudantes interessados no tema aumenta a cada dia. Ano passado, 5 dos 17 artigos apresentados como Trabalho de Conclusão de Curso (TC) pelos formandos do Curso de Tecnologia em Gastronomia tinham a cerveja artesanal como tema.

A UEG também forma mão de obra especializada por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec). Em 2017 foram 40 profissionais contemplados e este ano já está em andamento uma turma com 20 alunos. De acordo com Vanderlei, a maior parte desses profissionais é contratada por lojas especializadas em cervejas artesanais, pela organização do Piri Bier e pela Santa Dica Cervejaria.

O polo cervejeiro de Pirenópolis ainda conta com duas novidades. No segundo semestre deste ano terá início um curso cervejeiro artesanal, aberto à comunidade. Em até dois anos, está prevista a criação de um curso de Pós-Graduação em Produção Cervejeira que será o primeiro do Brasil oferecido por uma universidade pública.

Este ano, quatro estilos de cerveja produzidos no câmpus da UEG vão competir na Copa Piri Bier de Cervejas Caseiras: English Pale Ale com rapadura e capim limão, Weiss com adição de bacupari, Dry Stout produzida 100% com água de coco e Catharina Souer com adição de cajuzinho do cerrado). Por enquanto, essas cervejas ainda são experimentais e catalogadas como estudo científico, mas a UEG vai pedir o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para que possam ser comercializadas. (Juliana Ribeiro é jornalista e sommelier de cervejas)

Piri Bier, festival de cerveja artesanal de Pirenópolis
Edição anterior : criado há três anos, Piribier segue movimento integrado por universidade e empresários (Foto: Flavio Isaac)

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