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Cervejas com sabores brasileiros conquistam goianos

Tema do Piribier neste ano, sabores regionais se consolidam como aposta do mercado cervejeiro artesanal


Fonte: O Popular

Por: Juliana Ribeiro

As cervejas com frutas, castanhas e especiarias regionais chegaram para ficar e não poderia ser diferente em Goiás. A variedade de sabores da região contribui para o lançamento crescente de novos rótulos e desperta o interesse de consumidores. A tendência ficou visível para quem visitou o Piribier, festival de cervejas artesanais de Pirenópolis que terminou no último domingo e reuniu produtores de cerveja artesanal de várias partes do País e do exterior. Entre os 250 rótulos vendidos em 24 estandes, foi possível beber cervejas com pequi, pimenta bode, baru, jabuticaba, goiaba, manga e mexerica, por exemplo.

A 2ª Copa Piribier de Cervejas Caseiras, realizada durante o festival, aceitou inscrições apenas de cervejas com frutas, condimentos e especiarias genuinamente nacionais. As três primeiras colocadas no concurso foram: Brown Porter com cumaru, India Pale Ale com sucupira e Witbier com umbu coentro e limão siciliano. A cerveja vencedora será produzida industrialmente pela Cervejaria Goyaz, que produz o rótulo Colombina, e vendida no segundo semestre, em Goiânia.

Para o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, o uso de frutas e madeiras (para armazenamento) na fabricação da cervejas incentiva a curiosidade sobre a bebida porque esses sabores e aromas despertam a memória emocional. “As pessoas já têm uma ligação natural com as frutas, principalmente as da região. Algumas lembram a infância, a casa da avó, o quintal de casa”, explica ele, que esteve em Pirenópolis.

Piri Bier, festival de cervejas artesanais de Pirenópolis

Público no Piribier em 2018: festa celebrou os rumos do mercado cervejeiro, que em Goiás está crescendo (Foto: Divulgação)

Lapolli acredita que essa variedade regional é o diferencial da cerveja brasileira e diz que recebe muitos contatos de pessoas de fora do país querendo importar cervejas brasileiras. “Eles sempre estão buscando isso, essa regionalidade, essa brasilidade”, destaca.

Um dos maiores especialistas brasileiros em gastronomia e cervejas, Ronaldo Rossi foi um dos jurados da comissão que avaliou os participantes da Copa Piribier e se diz surpreso com a variedade de sabores do Cerrado e suas possibilidades gastronômicas. “Eu não conhecia o cajazinho antes de vir a Goiás”, destaca o chef e sommelier ao lembrar de cervejas com essa fruta que estavam sendo vendidas no festival.

Investimento

Não é por acaso que cervejarias locais investem em sabores do Cerrado. A cerveja Colombina, da Cervejaria Goyaz, em Goiânia, por exemplo, produz rótulos com nomes e ingredientes típicos de Goiás. Vale destacar a Saison do Pé Rachado (com pequi), a Romaria (com baunilha do Cerrado e mutamba) e a Braveza (com jabuticaba). Quem quiser variar, ainda pode experimentar as cervejas com pimenta bode, murici, cagaita, seriguela ou rapadura moça branca, comprada de produtores de Nerópolis.

O sommelier de cervejas da empresa, Alberto Nascimento, explica que a Colombina começou a investir em ingredientes regionais quando decidiu se posicionar como cerveja local. Ele acredita que as cervejas com frutas têm feito tanto sucesso porque permitem criatividade e muitas variações de sabores. “O consumidor goiano tem se interessado cada vez mais por cervejas artesanais. Acredito que é o movimento natural de despertar curiosidade, mudar a experiência de consumo”, explica Nascimento.

Os sabores regionais da Colombina estão sendo exportados desde 2017 e, semana passada, a cerveja Romaria recebeu medalha de platina como um dos destaques no concurso Meininger’s International Craft Beer Award, na Alemanha. (Juliana Ribeiro é jornalista e sommelier de cerveja e participou do Piribier)

 

Frutos da terra

 

Cajazipa, cerveja produzida na Cidade de Goiás

Cajazipa, cerveja de cajazinho produzida na Cidade de Goiás


O movimento cervejeiro em Goiás tem rendido cada vez mais frutos. Novata no mercado das cervejas artesanais, a Vila Boa Cervejaria, outro exemplo, é da cidade de Goiás e também marcou presença no Piribier com a Cajazipa, uma India Pale Ale com cajazinho.

Para os proprietários Vandré Borges Santana e Maria Teresa Mendes Guimarães, os ingredientes típicos incorporam sabor e aroma diferenciados à cerveja e como o cajazinho é um dos frutos mais marcantes da região, foi escolhido para que a cerveja tivesse a cara da cidade. “O suco é extremamente tradicional e o picolé da Praça do Coreto sempre é procurado pelos turistas”, explica Vandré.

A Oktos Cervejaria, de Aparecida de Goiânia, levou para o festival estilos como American Pale Ale com manga e Barley Wine com açúcar mascavo. A Astúria Cerveja, de Goiânia, misturou tamarindo, manga, pêssego, maracujá e cajá em um rótulo do estilo India Pale Ale. Do Distrito Federal, vieram cervejas com goiaba (Corina Cervejas), mexerica (Cervejaria Metanoia) e jabuticaba (Cervejaria Amortentia).

 

Leia mais:

Pirenópolis, capital goiana da cerveja

 

 

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