Passeio de um dia em Paranapiacaba

 

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Distrito do município de Santo André (SP), Paranapiacaba é um charme e uma grande surpresa. O nome, difícil de decorar e pronunciar, significa “lugar de onde se vê o mar” na língua tupi-guarani.

A vila surgiu no final do século 19 para abrigar os operários da empresa inglesa São Paulo Railway Co., que foi autorizada por D. Pedro II a construir o sistema de trilhos (conhecido como funicular) que faria o transporte de café entre o interior do estado e Santos. Esse sistema foi desativado em 1981 e substituído por uma linha férrea moderna.

O local não está bem preservado, embora seja tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimonio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). A desativação do sistema funicular e a construção da linha férrea atual, a partir dos anos de 1970, teria sido um dos motivos da decadência de Paranapiacaba. A vila parou no tempo, mas justamente aí está seu charme.

 

Curiosidades

Li em vários sites que Paranapiacaba tem fama de lugar mal assombrado. Quem tiver curiosidade, é só fazer a busca e descobrir mais sobre as lendas.

 

O que saber antes de ir

 

Lugar indicado para fazer bate-volta. A região é muito bonita, mas não tenha grandes pretensões porque, embora, seja patrimônio histórico, não está bem conservado

Poucas opcões de alimentação e quase nenhuma de compras. O bom é que, embora seja um lugar turístico, os preços são menores que os esperados

Há pousadas na região. Indico para quem gosta de contato com a natureza e quer muita tranquilidade

Maior evento de Paranapiacaba é o Festival de Inverno, realizado anualmente em julho. Nos dias do evento, a rodovia pode ser fechada. Confira antes de ir.

Minhas dicas

 

Ponte sobre a linha férrea

Paranapiacaba é dividida em partes baixa e alta. A ligação dos dois lados é feita por uma ponte sobre a linha férrea e por uma estradinha que não tive tempo de conhecer.

Passarela em Paranapiacaba, São Paulo

Passarela de Paranapiacaba, São Paulo
Uma passarela de metal liga as partes alta e baixa de Paranapiacaba, distrito de Santo André, em São Paulo

Parte alta

As construções são mais simples e poucas têm arquitetura histórica. Quem vai de carro ou ônibus chega por esse lado.

Do mirante, chama atenção a disposição das construções, que começam próximas aos trilhos e continuam morro acima dos dois lados. É bonito ver as casas incrustadas na serra em meio à mata.

Chegar pela parte alta significa ter que andar mais para chegar aos restaurantes e bares na parte baixa. É preciso subir e descer ruas íngremes com calçamento de pedra e, ainda, atravessar a passarela grande que passa sobre a linha do trem. É uma opção é praticamente impossível para quem tem dificuldades de locomoção.

Mirante da parte alta de Paranapiacaba
Do mirante da parte alta é possível ver toda a parte baixa de Paranapiacaba, do outro lado da linha férrea

Parte baixa

Aqui ficam os bares, os restaurantes e as casas de madeira em estilo inglês onde moravam os funcionários mais importantes da empresa. Esta é a parte propriamente histórica de Paranapiacaba e onde estão os pontos turísticos.

Chegando de trem e descendo na estação ferroviária da cidade, o acesso à parte baixa, onde os bares e restaurantes, é mais fácil porque as ruas são menos íngremes. Mesmo assim, o calçamento de pedra torna a caminhada um pouco mais complicada para quem tem dificuldades de locomoção.

Trem turístico de Paranapiacaba, São Paulo
O trem turístico que leva direto para a parte baixa da vila chega na estação ferroviária de Paranapiacaba, ao fundo

Estação ferroviária

O prédio tem uma arquitetura simples, mas foi reformado em 2017 e está muito bonito. Rende fotos lindas. Impossível entrar no  local e não imaginar como deveria ser na época do auge da ferrovia. Parece que o trem vai chegar a qualquer momento com os funcionários da empresa.

Estação ferroviária de Paranapiacaba, São Paulo
Estação ferroviária de Paranapiacaba foi reformada em 2017

Ruas da vila

Caminhar na parte baixa da vila, sem pressa e atenta aos detalhes da arquitetura e da mata ao redor, é relaxante e muito agradável.

Sugiro sapatos confortáveis porque alguma ruas têm calçamento de pedra e dificultam a caminhada para quem tem dificuldade de locomoção.

 

Castelinho

O “castelo” que pode ser visto da parte alta da cidade, quando se chega de carro, na verdade é um sobrado de madeira com dois andares que foi construído para ser a casa do engenheiro-chefe da empresa inglesa. A casa virou museu e oferece uma vista privilegiada da vila. Vale a pena conhecer.

Castelo do Engenheiro, em Paranapiacaba, São Paulo
O “castelo” (ao fundo), casa do engenheiro-chefe da ferrovia inglesa, hoje é museu e um dos pontos mais visitados de Paranapiacaba

Cachaça de Cambuci

Vendida em vários lugares de Paranapiacaba, é a cara da vila. Há opções de sabor e preço para todos os gostos e bolsos. Pagamos R$ 35 pela garrafa de 1 litro de Cachaça de Cambuci do Bar da Zilda. Para quem não sabe (como eu não sabia) Cambuci é um fruta nativa da Mata Atlântica.

Festival de Inverno

Realizado anualmente no mês de julho, é uma ótima opção para conhecer Paranapiacaba porque, nesses dias, há várias atrações culturais na vila. Me agradou muito os vários palcos para apresentações musicais espalhados pelo local. Quando fui, tinha banda de folk, blues, rock dos anos 70, MPB e muito mais. Infelizmente, não consegui assistir a todas as apresentações, mas vi que havia bandas muito boas, todas com um estilo, digamos, mais alternativo.

 

Apresentação musical no Festival de Inverno de Paranapiacaba
Bandas musicais de estilos variados invadem a vila no Festival de Inverno

Transporte para o Festival de Inverno

A dica para quem quiser conhecer Paranapiacaba durante o Festival de Inverno é: vá e volte cedo e tenha muita paciência. Em 2017, fomos em um domingo e não conseguimos chegar de carro à vila porque a rodovia estava fechada pela polícia. Fomos obrigados a parar em um grande estacionamento a, aproximadamente, 1 km do local e a pegar um transfer/ônibus. Valor total do pacote, R$ 40 para ficar todo o dia.

A ida foi até rápida porque, apesar da fila enorme, esperamos quase 30 minutos. Já a volta foi terrível. Como deixamos para sair de Paranapiacaba no final da tarde, a fila para pegar o transfer e voltar ao estacionamento estava gigantesca e ficamos, aproximadamente, 1 hora e meia em pé. Garoava e fazia um frio congelante. Exaustivo!

 

Como chegar

 

Trem

O ponto de partida é a Estação da Luz, de onde sai um trem turístico. Os horários e preços podem ser conferidos no site da CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

 

Ônibus urbano

Confira a rota no site da EMTU.

 
Carro

Se esta é sua opção, confira a rota:

 

 

 

Fotos: Arquivo pessoal. Permitido o uso desde que a fonte seja citada.

4 comentários Adicione o seu

  1. Já tinha visto esse roteiro no instagram, mas nesse post está muto bem detalhado como chegar na cidade. Indo de trem, dá para fazer os passeios na cidade por conta própria e a pé ou é necessário comprar algum pacote em agências de viagem?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Bom dia, Viajante em Série. A vila é bem pequena e dá para conhecer a parte urbana e os arredores a pé, mas se quiser entrar na mata (onde há cachoeiras) ou conhecer mais detalhes históricos do local, acho que vale, sim, contratar um guia turístico. Descobri esse telefone do Centro de Informações Turísticas: (11) 4430-0237. Bom passeio!

      Curtido por 1 pessoa

      1. Super obrigada!

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  2. Que foto linda do interior da estação!! Parabéns!!

    Curtido por 1 pessoa

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